Ata da 291º Reunião Plenária Ordinária do CADES
Data: 14/10/2026
Duração: 2 horas 13 minutos e 31 segundos
Local: Híbrida: Secretaria do Verde e Meio Ambiente - Sala Térreo
Plataforma Microsoft Teams
PAUTA
- Aprovação da Ata da 290º Reunião Plenária Ordinária do CADES;
- Apresentação " Prestação de Contas 2025 - CONFEMA", pela Sra. Tamires Carla de Oliveira - Chefe de Gabinete / SVMA;
- Apresentação “Nova versão do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo - PLANCLIMA SP, pelo Sr. Alessandro Bender - SGM - SECLIMA;
- Apresentação “Tipologia das Margens de Rios de São Paulo” pelas Sras. Ligia Pinheiro de Jesus -SVMA/CPA, Larissa de Santis Candro - SVMA/DPU/CPA, Luciana Travassos - UFABC e Renata Ferreira - UFABC.
PARTICIPANTES
Mesa Diretora
- Wanderley de Abreu Soares Junior - Presidente
- Tamires Carla de Oliveira - Chefe de Gabinete
- Liliane Neiva Arruda Lima - Coordenadora
- Rute Cremonini de Melo - Secretária Executiva
Assessores
- Neusa Pires - Assessora
- Sérgio Eduardo Hatsumura Hanasiro - Assessor
- Andrea Luciane Vieira - Assessora
- Alexandre José Alves - Assessor
Apresentadores(as)
- Tamires Carla de Oliveira - Chefe de Gabinete SVMA
- Ligia Pinheiro de Jesus - CPA
- Larissa de Santis Candro - DPU
- Luciana Travassos - UFABC
- Renata Ferreira - UFABC
Interpretes - SMPED
- Renato Lima
- Flavia Morais
Conselheiros(as)
- Mário Luiz de Camargo Filho
- Oliver Paes de Barros de Luccia
- Giovanna Estevam Saquietti
- Nicolas Xavier de Carvalho
- Douglas de Paula D' Amaro
- Fernanda Lanes Aguiar Cezar
- Cleuber José de Carvalho
- Claudio de Campos
- Caio Tulio de Souza Prado Gomes e Kurosaka
- Gabriela Pinheiro Lima Chabbouh
- Ligia Pinheiro de Jesus
- Anita de Souza Correia Martins
- Christiane da França Ferreira
- João Cesar Megale Filho
- Gilson Gonçalves Guimarães
- Carlos Alberto Maluf Sanseverino
- Marco Antônio Lacava
- Ricardo Crepaldi
- Estela Macedo Alves
- Carlos Alberto de Moraes Borges
- Luis Villaça Meyer Filho
- José Ramos de Carvalho
- Maria do Carmo Ferreira Lotfi
- Delaine Guimarães Romano
- Cleide Neves do Nascimento
- Celina Cambraia Fernandes Sardão
- Suzana Guinsburg Saldanha
- Flavio Luis Jardim Vital
- José Reinaldo Brígido
Participantes Externos
- Eliza S. Dos Santos Melo
- Isabella Carmo Cavaco
- Isabella Pongiluppi
- Jacqueline Santana
- Marina Rago
- Natalia Nascimento
- Bruna Dallaverde de Sousa
- Fábio Pedó
- Renata Cristina Ferreira (UFABC)
- Luciana Travassos (UFABC)
- Larissa de Santis Candro
- Elisa
- Gabriela Oliveira
- Laura
- Alessandro Bender (SECLIMA)
- Ludmila Mello de Amorim (SECLIMA)
- Tazio Guilherme Viadana
- Alexandre Yassu
- Mariana Benesta
- Daisy Francisco Pinato
TRANSCRIÇÃO
WANDERLEY DE ABREU SOARES JUNIOR (Presidente): Obrigado, Lili. Bom dia a todos, conselheiros e conselheiras e demais presentes.
Na qualidade de presidente da mesa, eu, secretário da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, dou início à 291ª Reunião Plenária Ordinária do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da cidade de São Paulo, o CADES, convocada nos termos do artigo 7º do Regimento Interno, Resolução 140/CADES/2011, que se realiza na data de hoje, dia 14 de outubro de 2026, quarta-feira, às 10h14, de forma presencial na sala de reuniões deste prédio, andar térreo da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, e pela plataforma Microsoft Teams. Passo agora a palavra para a coordenadora geral do CADES, a senhora Liliane Arruda.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, secretário. Bom dia a todos os conselheiros que estão aqui presentes. Na parte online, também quero agradecer imensamente. Bom dia a todos. Quero agradecer a presença dos intérpretes da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, o Renato, bom dia, Renato, obrigada, e a Flávia Morais, obrigada, Flávia, também, por estarem aqui conosco hoje.
Passamos, então, para o primeiro ponto do expediente: aprovação da ata da 290ª Reunião Plenária Ordinária do CADES. Colocamos em votação.
(Pausa.)
Então, damos como aprovada a ata da 290ª Reunião Plenária Ordinária do CADES.
Passamos, então, para o segundo ponto do expediente: a apresentação da prestação de contas da utilização dos recursos do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o FEMA, do ano de 2025. Estamos aqui com a presença, na parte online, da nossa chefe de gabinete, Tamires de Oliveira, e eu quero agradecer, Tamires, pela sua presença aqui hoje conosco na nossa reunião. A palavra é sua, Tamires, por gentileza.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Obrigada, Lili. Vocês me ouvem bem? Está todo mundo ouvindo, gente?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Sim.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Lili, eu posso, só antes da apresentação, fazer aquele informe sobre o guia metodológico, só para avisar o pessoal?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Vamos, vamos.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Gente, antes da gente entrar na pauta do FEMA, só queria fazer um breve informe para a reunião de novembro. Acho que vocês devem acompanhar, já há algum tempo, que a gente está trabalhando no projeto Viva o Verde SP com o ONU-Habitat. A gente já concluiu o primeiro produto da fase 2, que é o guia metodológico para a elaboração dos planos de gestão dos parques. Ficou um material muito, muito rico, muito interessante, e a gente solicitou — eu coordeno aqui pela Secretaria e o Jordi pelo ONU-Habitat — para apresentar para o CADES Municipal na reunião de novembro.
Então, a gente está terminando a diagramação e vamos encaminhar para todos os conselheiros com bastante antecedência para vocês olharem. A nossa ideia — não é necessário, mas a gente acha importante — é ter uma resolução do CADES reconhecendo esse guia como o documento oficial para elaboração de planos. Então, na reunião de novembro, a gente vai apresentar na íntegra e vamos encaminhar para a Lili, nos próximos dias, o documento para compartilhamento com todo mundo, para que, quando vierem para a reunião de novembro, já estejam inteirados sobre o que é esse guia, está bom? Esse era o informe.
Agora, sobre o FEMA, acho que primeiro pedir desculpas...
WANDERLEY DE ABREU SOARES JUNIOR (Presidente): Tamires, antes de você começar a sua apresentação, deixa eu só falar um oi pessoalmente para eles aqui. Eu estou no elevador, já quase chegando no térreo.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Ah, está. Ele está descendo aí para dar um oi para todo mundo que está presencial também. Mas eu espero, é isso? Ele pediu para esperar? Eu entendi isso, não é, Lili? Que ele está descendo e é para eu esperar?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Isso, ele está descendo e é para esperar um minutinho, que ele está descendo para dar um oi.
(Pausa.)
Ele chegou aqui, Tamires. Chegou.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Está. Enquanto isso, eu vou deixar a tela compartilhada aqui.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, secretário.
(Pausa.)
Ele está subindo já novamente, Tamires. Ele falou um oi para a equipe presencial, que hoje a sala está bem cheia mesmo.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Está bom. Vocês estão vendo a minha tela?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Sim.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Está bom. Eu não consegui apresentar em todas essas reuniões, mas estamos aqui para fazer a apresentação da prestação de contas do que foi o FEMA em 2025. Aqui eu trouxe as principais ações que de fato foram executadas no exercício de 2025. E aí eu acho que, para a gente já ficar com tudo em dia: em dezembro a gente já faz a prestação de contas de 2026 no CONFEMA. Eu sei que a nossa reunião de dezembro é uma reunião de confraternização, mas, se for o caso, Lili, acho que já seria importante a gente colocar na pauta de dezembro, porque a gente já vai fazer a apresentação no CONFEMA e já faz também para o CADES. Aí a gente não fica com esse atraso e depois correndo atrás de agenda, está? Então, se for possível, se não atrapalhar a pauta, eu acho que já seria bom a gente fazer a de 2026 já agora em dezembro.
Enfim, o FEMA. Para quem não está ambientado, ele existe desde 2001, quando foi criado. A gente tem um conjunto de normas que regram como o FEMA tem que acontecer, como ele pode ser executado. Além da legislação que o criou...
Tem um microfone ligado aí; se puder desligar.
Mas, além de toda a legislação que o criou, a gente considera também os decretos regulamentadores, a resolução do CADES, que determina as diretrizes anuais, e também, mais recentemente, a Agenda 2030, todos os ODS, que é justamente o que vocês levam em consideração para fazer as diretrizes. Então, tudo isso, dentro de todas as questões importantes: o FEMA é um financiador do uso sustentável dos recursos naturais, da qualidade ambiental, do controle, da educação ambiental. Todos esses temas estão ali, e todo esse conjunto de normas determina como o FEMA pode ser utilizado, sempre com esse objetivo, aqui no caso do município, de construir, de valorizar e de trazer um componente de financiamento para a política ambiental municipal.
Então, em 2025, o decreto regulamentador prevê quais são as possibilidades de uso, e, para 2025, a gente utilizou os recursos predominantemente nessas possibilidades: o PSA, a melhoria da infraestrutura, a implantação do sistema de áreas protegidas e áreas verdes, que basicamente é a implantação de parques, o suporte tecnológico à fiscalização, os planos e projetos relacionados às mudanças climáticas, os editais com o terceiro setor, e também as questões de compensações ambientais, conforme o decreto, está?
Então, a gente teve, em 2025, um plano final aprovado de 47 milhões, já com o superávit; esses foram os valores do final do ano. Para requalificação de parques, foram 15 milhões; para implantação de unidades de conservação, 12 milhões; para editais, 8 milhões; estudos e consultorias, 4 milhões; pagamentos por serviços ambientais, 3 milhões. Aqui ele está destacado porque o PSA é a única possibilidade, no FEMA, que tem um valor fixado por lei, no Plano Diretor: no mínimo 10% do recurso do FEMA tem que ser destinado obrigatoriamente para PSA. Então, ele é a única hipótese de aplicação que tem um mínimo obrigatório. E há ainda 2 milhões para requalificação de unidades de conservação e 1 milhão para implantação de parques, nessas diversas dotações, está?
Aqui, passando para cada uma das ações a que a gente destinou esse recurso. Para os parques que estão aqui — Leopoldina, Mongaguá, Aterro Sapopemba, Fazenda da Juta —, como foi um pedido dos conselheiros do CADES quando eu fiz a prestação de contas de 2024, a gente trouxe com clareza o enquadramento de cada uma dessas ações na aplicação do decreto. Então, no caso da dotação 1703, em que a gente colocou recursos — Leopoldina, Santo Dias, Colinas, Juliana de Carvalho Torres, Anatel —, que constaram no plano de investimentos, eles estão enquadrados no artigo 4º, inciso III, dentro da diretriz do FEMA de expansão e conservação de áreas verdes e parques, e, dentro dos ODS, eles atendem os ODS 11, 15 e 13. Então, para cada uma dessas ações, a gente colocou aqui claramente o vínculo com o decreto, com as diretrizes do FEMA e também com os ODS. Mais para frente eu vou falar um pouquinho mais.
Aqui também a gente segue com as dotações 1704 e 1705, que são as unidades de conservação. A gente teve recursos destinados a Cabeceiras do Aricanduva, Cratera, Jaceguava, Itaim, Fazenda do Carmo, RVS — enfim, todas essas áreas —, e aqui também qual é o enquadramento no artigo, nas diretrizes e nos ODS. E aqui também destacado o PSA, também destacadinho em laranja por conta da obrigatoriedade.
Aqui a gente teve as parcerias e os estudos, na dotação 7127. Então, a gente teve recursos destinados aos programas Vamos Trilhar, Sampa Saúde em Movimento, o Viva o Verde, o concurso de projeto do Bixiga. A gente teve ação também da Rede Brasil Mais, que é um programa que a gente usa para fazer monitoramento da vegetação, os planos de arborização e o de TI para os catadores, está? Uma coisa importante: o plano foi aprovado com essa destinação, mas nem tudo foi executado em 2025. Muitas coisas passaram para 2026 para ter algum tipo de execução. Esse é o caso, por exemplo, do plano de arborização e do de TI para catadores, que não tiveram execução em 2025 e foram para 2026. E o fundo também acompanha sempre esses saldos de ano a ano.
E aí a distribuição aqui, de acordo com cada linha que a gente tem que considerar para aprovar o FEMA: a gente teve 48% dentro da destinação para infraestrutura de áreas verdes, 25% para implementação do SAPAVEL e 18% para editais do terceiro setor. O PSA é 6%, e ele está menor aqui por conta de todo um cálculo contábil do que obrigatoriamente a gente tem que colocar dos 10% iniciais e depois no superávit. Então, tem aí uma diferencinha. E suporte tecnológico para monitoramento, 1%.
No campo das diretrizes do FEMA, foram 76% destinados às diretrizes de áreas verdes; 2% para as diretrizes de educação ambiental; 5,3% nas diretrizes de água; 2% em consumo e descarte, em que entrou aquele projeto dos catadores; e o restante foram valores abaixo de 0,1%. E, dos ODS, a gente teve boa parte destinada ao ODS 11, das cidades; depois ao ODS 15, da vida terrestre; depois educação, água, saúde, consumo, e assim vai.
São 71%. Então, isso aqui também é importante: quando a gente fez a prestação de contas ali em 2025, esse era o cenário. O que eu estou trazendo para vocês é o cenário da prestação de contas de 2025, está? Quando eu for fazer a de 2026, esses valores vão estar organizados, porque teve execução em 2026 para cada uma dessas ações. Então, na época, no final do ano, quando a gente fez essa apresentação para o CONFEMA também, a gente já tinha 71% dos valores liquidados destinados aos parques, está?
Então, aqui, rapidamente, dos principais parques que receberam investimentos, a gente teve o Leopoldina. Isso daqui foi muito importante, porque finalmente a gente conseguiu reabrir o Leopoldina, que estava fechado desde 2015. Ele foi reaberto no final do ano passado. Esses recursos foram utilizados em parte puro do FEMA, das receitas que entram no FEMA, e também uma parte de um acordo com o Ministério Público, que foi destinado ao FEMA carimbado — o FEMA também é captador de recursos carimbados. O Santo Dias ainda está em obra; uma parte desses recursos foi utilizada pelo FEMA. O Santo Dias a gente reabre para a população ainda este ano. O Anatel também, que a gente concluiu a obra. Colinas de São Francisco também concluído. O Linear Mongaguá também foi concluído. O Aterro Sapopemba também está terminando a obra; a gente entrega para a população e reabre o parque agora no final do ano. Fazenda da Juta, a [inaudível] Dragão, que é o cercamento da fase 2 da Juta. Nós entregamos, abrimos à população, implantamos o Parque Fazenda da Juta, que é o que a gente chamou de fase 1, e agora a gente está trabalhando na [inaudível] Dragão. O Cabeceiras do Aricanduva também concluímos; entregamos mais uma unidade de conservação para a população. E a sede do Refúgio de Vida Silvestre também foi entregue.
A gente também concluiu o concurso do Bixiga. Então, na prestação de contas de dezembro de 2026, a gente traz mais detalhes, porque aí a gente já teve o vencedor, a empresa já foi contratada e o projeto já está em andamento. Mas, em 2025, a gente tinha realizado, iniciado o concurso do Parque do Bixiga.
Temos também, financiado pelo FEMA, o próprio Viva o Verde SP. Em 2025, a gente concluiu o que foi a fase 1; a gente teve todos os produtos concluídos. Acho que no ano passado ou no começo deste ano, o Jordi fez uma apresentação aqui no CADES para todo mundo, detalhando o que foram todos esses resultados — talvez seja algo interessante também trazer, caso não tenha vindo. A gente tem hoje um material muito importante para a gestão dos parques. Toda a avaliação que foi feita, tudo que a gente trouxe de entrevistas, os planos de gestão, como a gente prioriza investimento nos parques — isso foi muito valioso para a gente, porque a gente utilizou agora, inclusive, na definição do Programa de Metas 2025-2028, para definir quais parques a gente priorizava para fazer investimentos. E isso também trouxe uma série de diretrizes para o que a gente está trabalhando agora na fase 2, focada muito em governança e em outros aprimoramentos de investimento.
A gente teve também, no Viva o Verde, uma participação da população muito grande. A gente teve um trabalho muito legal com os CEUs; tinha todo um recorte de trabalhar com as meninas. Então, foram trabalhos bastante interessantes. Aqui é a fase 2, que a gente já iniciou, e tem alguns outros produtos que estão sendo trabalhados. Um deles é o guia metodológico, que é o que a gente vai apresentar agora em novembro.
A gente também tem esses dois projetos que são muito importantes e muito legais para a população, que a gente faz em parceria com a Secretaria de Esportes: o Vamos Trilhar e o Sampa Saúde em Movimento. O Vamos Trilhar, para quem não conhece, é um programa de visitação monitorada nas unidades de conservação da Secretaria. Todo sábado e todo domingo saem ônibus gratuitos para a população, com ida, volta e lanche, para que as pessoas conheçam todas as nossas unidades de conservação. Sai do metrô Santo Amaro para os parques da Zona Sul e do Artur Alvim para a Zona Leste. Em 2025, a gente teve mais de 21 mil atendimentos, em 511 visitas, em cinco parques naturais. Tem sido um dos nossos projetos mais importantes, porque de fato as pessoas estão indo conhecer essas florestas que a gente tem aqui em São Paulo, e é fundamental as pessoas conhecerem para a gente conseguir proteger.
E o Sampa Saúde em Movimento é um programa voltado para orientação esportiva e nutricional gratuita nos parques. As pessoas são acompanhadas por profissionais qualificados, fazem suas atividades físicas nos parques, e a gente acompanha a melhora, de fato, da saúde da pessoa naquele parque, está? Nesse projeto, a gente aporta um recurso parcial, e o restante é a SEME que aporta. Em 2025, foram 141 mil atendimentos à população beneficiada em todos os parques que receberam o projeto e 5 mil avaliações nutricionais. Ali é identificado quando a pessoa tem alguma questão de saúde, e é feita até alguma orientação para procurar a UBS mais próxima. São dois projetos em que, qualquer coisa que acontece — algum dia em que alguma atividade não teve —, a gente é imediatamente acionado pela população: "Cadê, que não teve ação? Cadê, que não teve minha aula?". Então, a gente é bastante cobrado para que esses programas se perpetuem, e o FEMA tem sido fundamental para isso.
A gente também teve os investimentos para o PSA. O PSA teve um valor destinado dentro do valor inicial do FEMA, que era 31 milhões, a previsão da LOA. Então, esses 3 milhões e 180 mil foram carimbados para o PSA. Só que o nosso edital tem um valor muito inferior a isso, porque nós estávamos ainda no primeiro edital, fazendo todos os testes, vendo como a gente estava avançando. E tivemos resultados muito interessantes do PSA. Na semana passada, a equipe me apresentou um balanço muito interessante do programa como um todo, para que a gente pudesse trabalhar no aprimoramento do segundo edital, para que a gente de fato executasse mais os recursos destinados e ampliasse a capilaridade do programa. Inclusive, eu vou, imediatamente após a minha apresentação, para uma reunião na Secretaria do Trabalho para alinhar algumas questões em relação ao PSA. Mas foi realmente muito importante, e acho que no começo do ano a gente pode trazer todos esses resultados refinados para o CADES, porque de fato foi um trabalho muito importante.
Então, foram 54 inscritos e 31 contratos assinados, porque teve toda a fase de habilitação, de quem realmente poderia assinar. A gente teve um número muito baixo de pessoas que saíram: que eu me lembre, foram três — um por realmente não cumprir o que tinha que cumprir, outro porque teve um falecimento e outro porque a pessoa realmente não conseguia dar conta. Então, a gente teve uma baixa muito pequena. A gente teve 570 hectares contemplados dentro desses contratos, e, de 2023 a 2025, a gente tinha pago 1 milhão e 200 mil para essas propriedades. Então, a gente percebeu duas coisas: que não precisa de tantos recursos para ter um resultado muito benéfico, de muito impacto; e que a gente tem uma brecha, dentro dos valores destinados, de possibilidade de aumentar esses valores para os proprietários e também de ampliar o programa. A gente está trabalhando nisso, pensando em como organizar. Mas o PSA também foi financiado pelo FEMA.
E aí a gente teve alguns valores destinados por obrigação de compensação ambiental. A gente recebeu esses recursos, e eles ainda estão em fase de execução: depósito judicial do Juliana de Carvalho Torres, da Cratera, do Jaceguava. Todos esses itens que estão aqui foram recursos que a gente recebeu no FEMA obrigatoriamente para uma determinada unidade de conservação ou parque — no caso do Juliana, por conta de compensação ambiental.
E aí, para finalizar: dos sete temas das diretrizes, a gente atendeu seis. O único que a gente não atendeu diretamente foi mobilidade — mas a gente poderia até fazer um paralelo com o próprio Vamos Trilhar, porque a gente providencia que as pessoas possam se movimentar para a Zona Sul e para a Zona Leste. Mas, das sete diretrizes, o FEMA, em 2025, atendeu seis delas, e, dos 18 ODS, a gente atendeu 11; 11 foram beneficiados pelo FEMA, está?
E é isso, Lili. Se alguém tiver alguma dúvida, estou aqui à disposição.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Tamires. Vamos agora para a parte das perguntas, se houver, está? Temos aqui o Flavio Luis Jardim, na parte online, e a Suzana também, da parte online. Flavio, por gentileza.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Tamires, bom dia. Parabéns pela apresentação. Eu quero só focar na questão da resolução que nós aprovamos no ano passado — é o seu último slide, na verdade. Se você tem esse slide com valores: o quanto cada uma dessas indicações que nós priorizamos no CADES recebeu, os valores que foram colocados, nessa apresentação.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Tem sim, Flavio. Foi um dos slides que eu apresentei ali no início.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Não, mas por tópico.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Por diretrizes, por tudo: os valores por diretrizes, o valor por ODS e tudo. Depois eu vou compartilhar a apresentação com vocês; já está com tudo isso lá.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Eu não notei que tinha esse. E uma outra questão é por que não foi feita nenhuma ação na questão de mobilidade. Tem uma outra questão também, depois.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): É que eu já respondo agora a Suzana.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Não, pode responder primeiro o Flavio.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Está. De mobilidade, não teve nada diretamente — não por escolha, mas porque realmente os projetos não tinham nenhuma linha focada em mobilidade. Mas, por exemplo, teve parque em que a gente recuperou a ciclovia. Então, se a gente fosse fazer uma desagregação, talvez chegasse a questões indiretas atendidas, mas diretamente não. E só para reiterar que esses valores divididos por diretrizes estão na apresentação; eu compartilho e, qualquer dúvida, vocês me falem. Mas está tudo lá, está, Flavio? Acho que, como eu passei rápido, você só não se atentou.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Você tem um slide com área verde, educação ambiental e valores? Desculpa, então.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Isso, exatamente, exatamente.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Está bem no começo, Flavio. A apresentação de que a Tamires está falando está bem no começo.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Ah, está bom.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Está bom? Mas vocês vão ter acesso, Flavio. Qualquer dúvida, qualquer coisa, estou 100% à disposição. A única coisa é que eu só tenho um tempinho bem curtinho, porque preciso ir para a Secretaria do Trabalho. Então, qualquer coisa, Lili, eu depois respondo, você me encaminha, ou na próxima reunião que seja, mas só para eu não me atrasar.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Suzana, por gentileza.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Só tem mais uma questão, Lili: como vocês acompanham o saldo entre um exercício e outro? Como isso é lançado no balanço etc.? O saldo de um projeto que é executado num ano, como ele passa para o outro? Essa dotação orçamentária passa para o outro? Como é feito isso?
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Sim. A gente faz sempre, no final do ano, as aprovações. Primeiro, a gente faz o planejamento para aquele ano com aquele recurso que foi aprovado na LOA, está? Então, lá no início do ano, e no final, quando a gente aprova o do ano seguinte, a gente sempre usa como referência o que está dentro da lei orçamentária. Quando vira o ano, mais ou menos na metade do ano, a gente já começa a observar se mantém aqueles recursos ou se já teve algum tipo de superávit, porque no primeiro semestre se concluem os balanços da Secretaria da Fazenda: se os restos a pagar foram pagos, se está tudo em ordem. Então, a partir mais ou menos de maio, junho, a gente começa a levantar valores de superávit. E aí a gente solicita todo esse saldo e, se tem saldo a mais, a gente faz uma revisão do plano de investimentos, aprova novamente no CONFEMA, e assim vai. E esses projetos, quando a gente faz todo o planejamento do ano seguinte, considerando os valores apresentados pela Secretaria de Planejamento — a gente está fazendo planejamento agora —, a gente já vai fazendo a distribuição de todos os projetos que vão ter continuidade naquele planejamento. Então, é uma coisa cíclica, o tempo inteiro, baseada sempre nos valores da LOA e nos valores executados. A gente faz esse acompanhamento praticamente mês a mês.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Mas a questão que eu fiz não foi bem essa. Você comentou que teve algumas ações que começaram neste ano e que ficariam para o próximo ano a sua execução etc. Como é lançado no seu saldo? Você tem valores de gastos obrigatórios de 10%. Esse valor de 10% soma, segue, ou ele zera? Você entendeu a pergunta? O seu volume financeiro carrega o saldo anterior ou ele zera?
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Não, ele sempre é zerado. Não carrega. Por exemplo, o PSA, de que você está falando, os 10%: ele é obrigatório por exercício, então não vai carregar o saldo de 2024. Lá no exercício, a gente vai ter a LOA de, digamos, mil reais; desses mil reais, cem reais, naquele ano, são destinados ao PSA. Então, isso não carrega de um ano para o outro; é por exercício.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Está, mas, nessa questão de exercício, se é o exercício, então é o executado, e não o que está no planejado.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Quando a gente destina, a gente destina dentro do planejado, não necessariamente aquilo executado.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Não, tudo bem, eu não estou falando disso. Estou falando em si: se tem uma destinação de uso de recurso, não é do planejado, é do executado.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Não, é do planejado, porque eu preciso, dentro do meu planejamento, prever que aquele recurso está obrigatoriamente destinado naquele percentual. Não necessariamente aquilo vai ser totalmente executado, porque isso depende de uma série de fatores.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Está, mas é que, pela lei, quando você tem uma execução, você coloca o planejado, ok, se planeja tal. Só que, na hora de executar dentro daquele exercício, já que você não tem esse movimento de um ano para o outro — é um fundo —, ele tem que, nesse exercício, ter 10% do executado gasto naquilo.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Não, ele é do planejado. Eu não tenho que executar 10%.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Então, na minha opinião, é um equívoco, mas ok, vocês estão colocando desse jeito. Na minha opinião, não deveria, e eu não acho que é o que está na lei, mas ok.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Tudo bem, opinião está ótimo. Mas a gente tem que seguir a lei, e o que a gente precisa prever é que, dentro do que está disponibilizado...
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Eu participava de quatro fundos federais, e os quatro trabalhavam desse jeito. Quando você tem um fundo que tem previsão de trazer saldo, ok. Quando o fundo não tem previsão de trazer saldo, é do gasto, não do planejado. O planejado é uma ferramenta de gestão; o gasto é uma ferramenta de execução, e a lei prevê execução, e não planejamento. Mas ok, só para constar. Está bom, obrigado.
TAMIRES CARLA DE OLIVEIRA (Chefe de Gabinete - SVMA): Próxima pergunta.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): A Suzana, por gentileza.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Sou eu. Bom dia. Está me ouvindo?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Sim.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Então, eu não peguei tudo, mas não sei se teve aviso disso na ata; realmente, com esse período de eleição, eu não vi. A gente está esperando há muito tempo essa prestação de contas, durante o ano todo, e era muito importante; era importante ter outras pessoas aqui, mas enfim. Agradeço à Tamires e queria perguntar o seguinte: a gente está tentando entrar em contato, aqui via Butantã, sobre o Parque Juliana Torres, que está numa situação urgente. Ele está com o dinheiro do FEMA colocado pela Reserva Raposo há muito tempo. A gente não sabe o valor, não sabe quando vai ser utilizado, quanto vai ser utilizado e para que vai ser utilizado.
Só para todos os conselheiros saberem: ele está num estado de degradação ambiental pavoroso, com rato, restos de barraco que foram colocados no chão, escorpiões, biqueira, tudo dentro do parque. É uma situação de extrema urgência. Atende a 40 mil pessoas. A gente pede reunião na Secretaria do Verde, pede reunião com a Juliana Summa, com o secretário, e a gente não consegue. É uma situação que eu não sei nem descrever, entendeu? Uma secretaria deixar uma população de 40 mil pessoas numa situação dessa, com dinheiro depositado no FEMA — e, mesmo que não tivesse —, sem ter uma sede, sem ter um plano de paisagismo, sem ter nada. Aquele parque está degradado. É um racismo ambiental. Isso não dá para aceitar. A gente pede, manda e-mail, faz movimento, e é como se não existisse o problema, como se não existisse nada. Eu não entendo isso. Eu queria saber onde está esse dinheiro, quanto é e qual o planejamento da utilização. E não sou eu: são 40 mil pessoas que estão perguntando isso. Eu sou do CADES Butantã e sou do CADES daqui, Municipal.
Outra coisa: o Vamos Trilhar. Várias pessoas estão se inscrevendo e não estão recebendo resposta. Não sei se é uma questão de estar superlotado ou uma questão logística. Eu queria que vocês checassem isso.
E outra coisa também: eu não entendi por que, no Viva o Verde, o Juliana Torres, que é um parque ultravulnerabilizado, com uma massa de gente enorme, não foi colocado dentro do Viva o Verde.
E acho que tinha mais alguma coisa, mas esqueci. Ah, e queria pedir também, quando for feita a prestação de contas do FEMA, como é uma coisa muito importante, que se reserve um tempo para as nossas questões. Então é isso. Eu agradeço.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Suzana, a Tamires está com uma outra reunião às 10h30, está? A sua pergunta está sendo registrada aqui conosco, e, assim que ela voltar da reunião, eu vou estar repassando para ela e encaminho para você via e-mail, está? Todos, agora...
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Eu vou pedir, Liliane, eu vou pedir, Liliane, que não se faça mais isso, porque o orçamento do FEMA é fundamental. A gente precisa de tempo para responder. E também que a gente tenha uma pauta em que possa colocar coisas de última hora. Eu estou no GT da pauta, na câmara técnica da pauta, e até hoje não fui chamada. Não sei como é decidida essa pauta. A gente não tem espaço para coisas de última hora, numa cidade desse tamanho, em que acontecem problemas no meio ambiente o tempo todo. Então, peço que tenha espaço para outras questões que possam surgir de uma semana ou de um mês para o outro, por favor. Agradeço.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Suzana. A reunião de pauta vai ser agora em novembro, está? Anteriormente, já tinha sido feita em junho. Como a gente já tem pauta até março do ano que vem, de 2027, nós vamos chamar para revisão de pauta agora em novembro, está bom? Mas a última reunião foi em junho, está?
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Mas a gente precisa de espaço para questões de última hora.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Ah, sim, aí como informe para vocês, com certeza, está bom? Mas obrigada, Suzana. Agora o Oliver, por gentileza. Oliver.
OLIVER PAES DE BARROS DE LUCCIA (Conselheiro): Olá, bom dia.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Bom dia.
OLIVER PAES DE BARROS DE LUCCIA (Conselheiro): Meu nome é Oliver, sou representante da SEHAB, Programa Mananciais. Só para deixar registrado também para a Tamires: se os recursos do FEMA podem ser usados para DUP, para decreto de utilidade pública dos parques, principalmente da Zona Sul. A gente está esperando faz bastante tempo uma movimentação, principalmente em relação ao Parque Caulim, e a gente não está tendo esse posicionamento. Então, precisava saber se poderia usar, por exemplo, os recursos do FEMA para essas desapropriações, que são muito importantes para a preservação das áreas dos mananciais. Só deixar registrado. Obrigado.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada pelo seu registro, Oliver. Anita, por gentileza.
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS (Conselheira): Bom dia a todos. Vocês estão escutando? Eu gostaria de responder à pergunta da Suzana. Eu represento a CGPABI, que é a Coordenação de Gestão de Parques e Biodiversidade Urbana, apesar de ser da Divisão de Gestão de Unidades de Conservação.
Então, Suzana, eu conversei com a Juliana. Ela falou que respondeu a todos os questionamentos que você mandou a ela; ela só não conseguiu, de fato, te receber para uma reunião, mas isso vai acontecer. A intervenção no Parque Juliana Torres vai acontecer; está na programação da Divisão de Infraestrutura e Obras da CGPABI, está? Ainda não existe uma previsão, mas provavelmente para o próximo ano isso vai acontecer. Então, ela vai fazer uma reunião com vocês assim que for possível.
E, com relação ao Vamos Trilhar, que são as atividades realizadas pela OSC definida pela Secretaria de Esportes, eu vou entrar em contato para saber o porquê da não resposta a essas solicitações de agendamento, está?
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Olha, desculpa, mas isso não é resposta, porque nada foi respondido para a gente. A gente não sabe onde está esse dinheiro, a gente não tem a previsão de quando vai ser utilizado. Existem questões urgentes. Então, é uma secretaria que não tem planejamento de urgência, de pequeno, médio e longo prazo. Se esse parque fosse aqui no Morumbi, vocês iam estar deixando desse jeito? Não é possível isso. Não é possível. É vulnerabilidade ambiental e social o que está acontecendo ali. É lixo, é rato, é biqueira, são as pessoas passando por lugares onde escorregam, caem, se sujam de barro. Não é possível. Não é possível o descaso desse tamanho. Responder protocolarmente a uma situação de tamanha urgência, como se essa urgência não existisse... Eu não sei nem o que falar. Eu tenho vergonha de fazer parte deste conselho numa situação dessa — vergonha —, e de ter uma resposta protocolar como essa, enquanto as pessoas estão cotidianamente sofrendo naquele lugar. Espero que fique registrado isso, que a gente receba uma resposta e que a gente seja recebido, porque ninguém responde nada e nem recebem a gente. Não adianta, não adianta. Eu acho que alguém vai ter que se imolar na frente da secretaria para vocês entenderem a gravidade.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Suzana, na reunião do CADES Butantã, eu vou estar presente com vocês...
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Não é possível tratar com essa impavidez uma situação de tamanha gravidade como essa.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Na reunião do CADES Butantã, eu vou estar presente com vocês, está? E lá a gente vai discutir e esclarecer qualquer dúvida que tiver, está bom? Eu já vou com as suas perguntas prontas — vou conversar com a Juliana e com a Anita — para passar na reunião para todos os conselheiros do CADES Butantã, está bom? Para deixar isso bem explicadinho. Como eu faço sempre: estou indo às reuniões dos 32 CADES, e à de vocês também eu vou, e a gente vai esclarecer isso na reunião do CADES Butantã.
Por favor, Flavio.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Só uma observação. A gente tinha comentado na última reunião que a aprovação das contas do FEMA acabou passando de pauta para outras reuniões e que a gente receberia o material previamente. Chequei novamente aqui, e só para constar: eu não recebi o material prévio para a gente poder avaliar de forma antecipada. Só isso. Obrigado.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Está, obrigada, Flavio.
Então, agora vamos passar para o terceiro ponto do expediente: apresentação do projeto Territórios da Água — resultados parciais da tipologia das Áreas de Preservação Permanente. Estou aqui com a nossa diretora Ligia, da CPA. Seja muito bem-vinda; a Ligia está na parte presencial. E também estou com a Luciana Travassos, que é da Universidade Federal do ABC. Seja muito bem-vinda também, Luciana, também na parte presencial, para estar aqui apresentando para a gente. Ligia, eu te passo a palavra, por gentileza, e logo em seguida a Luciana, está? Luciana, para a sua apresentação.
(Pausa para ajuste do microfone e da apresentação.)
LIGIA PINHEIRO DE JESUS (CPA/SVMA): Pronto, agora dá para me ouvir? Só para confirmar: dá para me ouvir, quem está online? Vocês conseguem confirmar, Sergio? Estão me ouvindo?
MARIA DO CARMO FERREIRA LOTFI (Conselheira): Sim, Ligia.
CLEIDE NEVES DO NASCIMENTO (Conselheira): Sim.
LIGIA PINHEIRO DE JESUS (CPA/SVMA): Estão ouvindo? Está bom. Bom dia a todo mundo que está presente aqui e ao pessoal que está online também. Agradeço essa oportunidade da gente fazer esta apresentação aqui no CADES. Me apresentando rapidamente: sou Ligia Pinheiro, sou arquiteta urbanista, represento aqui no CADES — sou suplente da Rosélia — a Coordenação de Planejamento Ambiental e também represento, pelo lado da gestão, este projeto Territórios da Água, do qual a gente vai fazer uma apresentação breve aqui. Só vou fazer uma contextualização rápida desse projeto e aí vou passar a palavra para a Luciana Travassos, que vai fazer a apresentação do projeto.
Então, só para contextualizar rapidamente: esse projeto Territórios da Água é uma cooperação da Secretaria do Verde com a Universidade Federal do ABC, por meio de um edital da FAPESP, que é o Projeto de Pesquisa em Políticas Públicas, o PPP da FAPESP. Ele conta com recurso da FAPESP, que traz sobretudo um conjunto grande de equipe da universidade, por meio de bolsas de mestrado, doutorado e bolsas técnicas de pesquisa. A gente iniciou esse projeto Territórios da Água dentro de uma demanda trazida pelo PLANPAVEL, o Plano Municipal de Áreas Protegidas, Áreas Verdes e Espaços Livres, que, do conjunto das 75 ações do plano, a ação de número 1 tem como título "elaborar um programa de conservação e recuperação de APP de cursos d'água e nascentes".
Então, a partir da aprovação do PLANPAVEL, internamente na SVMA a gente começou a trabalhar algumas ações em diferentes departamentos, e ficou para a CPA, para o planejamento ambiental, iniciar essa ação. Uma estratégia com a qual a gente começou foi fazer essa articulação junto com a universidade, para que a gente tenha primeiro um subsídio grande de diagnóstico do que já foi feito de outras políticas. Iniciamos o projeto em 2024; a previsão de finalização é 2028. Então, a gente está justamente na metade do projeto, num momento em que achou interessante trazer os resultados parciais aqui para o CADES.
Também acho que é bem do contexto atual do projeto este momento de articulação. O projeto começa no planejamento, também articulado com alguns outros setores aqui da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente — tem representante do licenciamento, da Assessoria de Mudanças Climáticas, de alguns outros departamentos —, e, aos poucos, essa é uma ação que não dá para ficar somente dentro da Secretaria do Verde, dado que a atribuição sobre essas Áreas de Preservação Permanente perpassa diversas outras secretarias: a Secretaria das Subprefeituras, as próprias subprefeituras, a SIURB, a Secretaria de Mananciais, a SMUL. Então, é uma ação que requer muito essa articulação entre secretarias.
Num primeiro momento, de 2024 até aqui, a gente trabalhou muito internamente, reunindo dados — acho que é um pouco disso que a gente vai falar —, e também iniciando um piloto. Esse piloto já foi um primeiro passo dessa articulação para fora da secretaria. Hoje a gente tem formalizado um termo de cooperação com a Secretaria Executiva do Programa Mananciais — o Oliver está aí online também e pode ajudar depois com explicações sobre o piloto —, que é um piloto na Zona Sul, em Parelheiros, onde a gente vem aprendendo a partir do território e dessas articulações elementos para trazer depois para esse programa.
Então, acho que é um momento bem importante para a apresentação parcial do projeto, para que, ao final, a gente tenha de fato os subsídios necessários para entregar essa ação do PLANPAVEL, que é um programa de conservação e recuperação de APP de cursos d'água e nascentes. Isso vai implicar, para a gente, bastante esforço ainda nessas articulações, e acho que o CADES é um fórum bem importante para a gente discutir sobre isso.
Vou passar a palavra agora para a Luciana, que é a coordenadora do projeto pela Federal do ABC. Agradeço já a disponibilidade da Luciana e da Renata de estarem aqui presencialmente e da equipe que está online também acompanhando. E aí a gente fica, depois da apresentação, disponível para diálogo. Obrigada.
LUCIANA TRAVASSOS (UFABC): Obrigada, Ligia. Vocês me ouvem bem? Eu falo bem alto, então vocês me avisam. Também queria agradecer muito pelo espaço aqui no CADES. É importante demais para a gente estar aqui dialogando com vocês sobre o projeto. Esse é um projeto que envolve uma equipe bastante grande, da universidade, da Secretaria do Verde, dos nossos parceiros da Secretaria Executiva do Programa Mananciais, e é uma articulação que começa a se construir com a SIURB também. A gente quer construir essa articulação com as outras secretarias também, que são bastante importantes. Já fomos [inaudível], também já apresentamos o projeto no Comitê de Segurança Hídrica. Então, essas conversas são bem importantes, especialmente agora que a gente vai começar uma fase de proposição. A gente saiu de uma fase de diagnóstico e vai, agora, para uma fase de proposição.
Só para mostrar o que eu vou falar aqui para vocês hoje: vou mostrar um pouco da estrutura do projeto, ou seja, onde a gente está agora, e vou falar das situações geográficas para a construção de uma tipologia, que é a principal estratégia que a gente tem usado para construir um diagnóstico territorial para atuação das várias secretarias nas Áreas de Preservação Permanente. Também vou mostrar um pouquinho do projeto piloto da bacia do Ribeirão Parelheiros, que é onde a gente está fazendo esse convênio, tanto com a Secretaria de Habitação, do Programa Mananciais, quanto com a SIURB, e a proposta que a gente estruturou — e aí também o Oliver, que está aí, foi um participante superativo do projeto, especialmente nessa proposta do projeto piloto para o Jardim São Norberto e Bom Clima, que é um pouco um teste — não é exatamente um teste, digamos que é um piloto — de como a gente pode trabalhar de forma articulada para a recuperação de Áreas de Preservação Permanente em contextos de alta vulnerabilidade, está?
Bom, aqui é a estrutura do projeto. Talvez algumas pessoas que estão assistindo já tenham visto o primeiro diagnóstico que a gente fez das intervenções realizadas; não vou mostrá-las hoje. Tem uma parte do diagnóstico que se estrutura em três etapas principais: quais foram as intervenções realizadas nos últimos 20 anos, principalmente após o Plano Diretor de 2002, quando os corpos d'água ganham relevância ambiental e urbana no município de São Paulo; as situações geográficas, que eu vou mostrar para vocês mais detalhadamente; e as estruturas de gestão, que estão nos conduzindo exatamente a essas conversas de articulação.
O piloto de Parelheiros/Caulim tem sido um objeto importante de passagem entre diagnóstico e prognóstico, como um projeto piloto, não só para a gente testar diretrizes de intervenção, diretrizes de gestão e financiamento, olhar para formas de conceber as questões hidrológicas e pensar a priorização da ação, mas também, e principalmente, para a gente conseguir pensar em formatos de articulação intersecretarial e intersetorial para ação integrada nas bacias e, principalmente, nas Áreas de Preservação Permanente. Então, o piloto funciona para nós como diagnóstico, mas, ao mesmo tempo, nos serve ao prognóstico.
O prognóstico vai trabalhar nessas frentes de atuação: pensar as articulações necessárias para a gente olhar para a tipologia. A gente está trabalhando em diretrizes de priorização, que a gente quer trazer também para vocês numa próxima oportunidade; diretrizes de intervenção, gestão e financiamento para a construção desse programa; e, ao longo desse trabalho todo, em algumas diretrizes de comunicação, capacitação e participação, que eu vou mostrar um pouco ao final também, que a gente está pensando e para as quais nos parece que o CADES tem um papel importante para contribuir, está?
Vamos lá. A Renata está aqui; é a pessoa que trouxe a situação geográfica para a gente dentro do projeto. A situação geográfica é uma teoria do Milton Santos e da Maria Laura Silveira — desculpa. Do ponto de vista teórico, ela é importante e interessante para nós, porque vai reunir, para o diagnóstico territorial, o sítio — ou seja, quais são as condições territoriais daquele espaço naquele momento — e a ação — ou seja, como o município tem pensado uma ação para aquele território. Então, a justaposição entre o que esse território é e o que a gente já previu que esse território deve ser estabelece diferentes situações geográficas para as Áreas de Preservação Permanente.
Outra abordagem teórica importante que a gente usa no projeto é a justiça ambiental, que vai trazer para a gente os elementos de distribuição de ônus e bônus do processo de desenvolvimento, critérios de participação, reconhecimento dos territórios e as capacidades — entender como essas ações pensadas para o território também melhoram as capacidades que as populações desses territórios têm para garantir justiça ambiental, moradia digna, meio ambiente equilibrado, acesso a parques; ou seja, tudo aquilo que está garantido constitucionalmente para todos os cidadãos e cidadãs do território brasileiro.
Nessa metodologia, a gente fez um ordenamento de dados do GeoSampa, do IBGE e outros, compatibilizando com a grade estatística. Não sei se vocês conhecem, mas a grade estatística do IBGE é interessante porque é uma unidade razoavelmente pequena, de 200 metros por 200 metros, e estável, porque ao longo do tempo continua igual. Então, na medida em que a gente sair do projeto e ele ficar para o município de São Paulo, poderá ser atualizado ao longo do tempo com a utilização da grade estatística. Diferentemente, por exemplo, do setor censitário, que é como em geral os dados são disponibilizados, a grade estatística é perene. Então, nos próximos anos, a gente consegue comparar coisas, ver como o território tem mudado. A gente elaborou uma série de mapas temáticos para a escolha de 35 variáveis que nos ajudaram a conceber as situações geográficas, e, a partir disso, foi fazendo análises qualitativas e quantitativas para chegar ao resultado das situações geográficas.
Então aqui — eu mudo aqui, tem um delay. Bom, vamos lá. Aqui, como a Renata sempre diz, a gente mostra a árvore que não é para ninguém ver, porque é impossível de ver mesmo em apresentações grandes. Mas é importante dizer para vocês que a gente estabeleceu três níveis de ramificação das situações geográficas. No primeiro nível de ramificação, que é o que eu vou mostrar mais detalhadamente para vocês, a gente estabeleceu seis situações geográficas, partindo de um primeiro recorte importante, que também saiu dos vários diálogos que a gente fez entre secretarias: as Áreas de Preservação Permanente que estão nas margens de rios naturais, rios abertos ou na beira de lagos e reservatórios, e as Áreas de Preservação Permanente que estão em canalização fechada, em galeria, que têm uma concentração no centro expandido do município de São Paulo. Saindo dessa primeira divisão, a gente fez um primeiro nível de ramificação, com seis situações geográficas. Dessas seis, a gente tem um segundo nível de ramificação, que produz 13 diferentes situações geográficas das Áreas de Preservação Permanente, e, no terceiro nível, 23 situações geográficas. É óbvio que, para mostrar as 23, a gente precisaria de quatro horas e meia aqui para conversar com vocês. Então, a gente vai ficar no primeiro nível de ramificação.
Bom, essa aqui eu acho que não é novidade para ninguém. A primeira situação geográfica das Áreas de Preservação Permanente no município de São Paulo abrange mais de 10% de todas as Áreas de Preservação Permanente do município. Ela é caracterizada por rios naturais, canalizados abertos, ou lagos e reservatórios com ocupação de baixo padrão e favela. Ou seja, a gente já vinha observando, mas estabeleceu esse número, que é bem relevante, de como a maior parte da vulnerabilidade social do município de São Paulo acontece em Áreas de Preservação Permanente, e esse é um fator de grande relevância para a ação pública. Essas áreas vão concentrar processos de risco geológico e hidrológico, baixa cobertura vegetal e grande adensamento urbano. Boa parte dessas áreas está no nosso quinto quintil de densidade populacional, o que nos mostra que tem um contingente populacional bem grande vivendo nelas. São áreas de alta vulnerabilidade a ondas de calor, pelos mapas que nós temos produzidos até agora. Têm uma maior participação, em relação ao restante do território, de população preta e parda, demonstrando como o racismo ambiental define os territórios de Áreas de Preservação Permanente no município de São Paulo, e estão concentradas nas periferias, especialmente na Macroárea de Redução da Vulnerabilidade Urbana e na Macroárea de Redução da Vulnerabilidade Urbana e Recuperação Ambiental — áreas que o Plano Diretor priorizou para a ação pública. E é interessante olhar como uma parte do FEMA efetivamente foi utilizada nessas áreas, especialmente com a aplicação de [inaudível]. Então, fiquei bastante atenta a essa questão na hora em que estava ouvindo a distribuição do FEMA. Nessas macroáreas se concentram as APPs dessa situação geográfica.
Uma segunda situação geográfica que também é relevante para a gente são as áreas em que os rios ainda são naturais ou canalizados abertos e que apresentam ocupação de médio e alto padrão. Também se apresentam nessas áreas usos mistos, como comercial e industrial. São áreas que têm baixa ou média cobertura vegetal, mas já não são áreas tão densas do ponto de vista da ocupação populacional. Apresentam média vulnerabilidade a ondas de calor, o que combina com a média cobertura vegetal, e são basicamente a Macroárea de Estruturação Metropolitana, a MEM, ou a Macroárea de Qualificação da Urbanização. São apenas 5% das Áreas de Preservação Permanente no município de São Paulo.
Uma terceira situação geográfica que a gente identificou são aquelas nos eixos metropolitanos. Para dar nome a elas, a gente está falando das APPs do Pinheiros, do Tietê, do Tamanduateí, da foz do Aricanduva, que obviamente são ocupadas pelos grandes sistemas de mobilidade, rodovias etc. São ocupadas principalmente, além dessas rodovias, por praças e canteiros, e têm alguma presença de corredores verdes — na verdade, uma presença de corredores verdes propostos, alguns já implementados. Estão totalmente inseridas na MEM e também vão demandar diretrizes específicas para a sua recuperação.
A boa notícia é que quase metade das Áreas de Preservação Permanente do município de São Paulo está na situação geográfica 4; ou seja, são áreas verdes, com forte presença de corredores ecológicos, alta cobertura vegetal, em baixo e médio adensamento urbano, predominantemente inseridas na Macrozona de Proteção e Recuperação Ambiental, com uma série de projetos. A subdivisão dessa situação geográfica mostra um grande contingente dessas áreas nas quais já estão previstas unidades de conservação ou outras formas de proteção, inclusive PSA, e muitas estão nas [inaudível] de desenvolvimento sustentável.
Daí, indo para as duas situações geográficas dos rios canalizados em galeria, a gente dividiu assim: aquilo que hoje tem sido muito falado, as APPs embaixo de sistema viário. Então, 19% das APPs estão embaixo de sistema viário. A gente achou importante fazer essa divisão, especialmente por conta dos critérios de descaracterização e de como a gente vai pensar critérios de descaracterização, e até como tratar APPs nesses locais. Elas são majoritariamente localizadas em áreas de ocupação predominantemente de médio e alto padrão, ainda que tenha alguma presença de baixo padrão e favela. Têm uma presença forte de comércio e indústria, obviamente um altíssimo índice de impermeabilização e ausência de vegetação, com a perda das funções ecológicas, e uma parte das áreas de inundação também está localizada nessas áreas.
Uma sexta situação geográfica foi, para falar a verdade para vocês, um pouco uma surpresa para nós — e, para alguns técnicos da SIURB, não é uma surpresa, e esse é um problema do ponto de vista das infraestruturas —, que são as Áreas de Preservação Permanente de rios canalizados fechados embaixo de lotes. E esses embaixo de lotes, a gente vai ver, estão predominantemente localizados no que a gente pode chamar de Zona Norte 1 e Zona Leste 1: bairros com uso predominantemente residencial de baixo e médio padrão, presença também de corredores comerciais e industriais, na Macroárea de Qualificação da Urbanização e na de Redução da Vulnerabilidade Urbana. E não são poucos: cerca de 6% das Áreas de Preservação Permanente estão nessa situação.
Qual é o processo que a gente está fazendo agora sobre essas situações geográficas? A gente começou a construir os critérios de priorização, usando também o Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado e outras formas de priorização. A gente está olhando para a priorização das bacias hidrográficas, especialmente aquelas que concentram o tipo 1, que são os assentamentos precários de baixo padrão, e o tipo 4, que são as áreas verdes, e a gente começou a olhar, dentro dessas bacias prioritárias, o que seria prioritário. Porque, como vocês podem observar, a partir desses dados, a gente tem muitas áreas que ainda podem receber tratamento: cerca de 40% das APPs em área urbana têm rios naturais ou abertos [inaudível] e, portanto, apresentam boas oportunidades de reestruturação urbana do território. Então, para fazer a ação, para construir metas, a gente precisa priorizar alguns desses territórios, e é isso que a gente está construindo agora.
E também as diretrizes: dado esse contexto das 23 situações geográficas, quais diretrizes a gente vai pensar para a ação, tanto a ação pública quanto também a ação do privado sobre essas áreas? Afinal de contas, nem todas elas são áreas de titularidade pública. Na verdade, um dos elementos-chave que a gente observou é que cerca de 1% das Áreas de Preservação Permanente hoje, não considerando as DUPs, estão em [inaudível]. Ou seja, a relação com o privado vai ter que ser uma conversa importante.
Dado isso, eu queria apresentar um pouquinho para vocês o que a gente tem desenvolvido no projeto piloto, na bacia do Ribeirão Parelheiros. A gente desenvolveu, com a nossa equipe da UFABC, mais a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e a Secretaria Executiva do Programa Mananciais, uma avaliação da bacia do Ribeirão Parelheiros, a partir do primeiro diagnóstico, que em breve vai estar disponível. É importante dizer para vocês que a gente escolheu a bacia de Parelheiros por conta da diversidade da tipologia, das situações geográficas que a gente observa ali. Ali a gente tem baixo padrão, a gente tem urbanização consolidada de baixo padrão, a gente tem muitas áreas verdes, tem partes dos cursos d'água canalizados. Então, a bacia de Parelheiros, para nós, pode funcionar como um bom objeto de articulação institucional, um bom objeto para a gente olhar com as diretrizes, no sentido de que o planejamento e a construção desses programas não partam só de um olhar global sobre o que a gente vai fazer em contexto local, mas também pensar como essas questões que a gente está pensando localmente podem ser generalizadas para as nossas diretrizes mais globais dentro do programa de recuperação de Áreas de Preservação Permanente.
Então, a gente montou, junto com essa equipe, dois mapas-síntese: um mapa-síntese de pressões e ameaças à conservação e um segundo mapa-síntese de oportunidades, ou seja, quais oportunidades a gente teria para recuperação e conservação desses corpos d'água. Vou passar rápido, pelo pouco tempo, mas agora o nosso foco é trabalhar nessa escala da bacia, com os atores e com as diretrizes que a gente vai propor nessa escala, testando essas articulações possíveis. Então, já convido todas as pessoas aqui do CADES que estiverem interessadas a participar com a gente para pensar nessas diretrizes; acho que vai ser bem interessante.
E aí uma primeira atividade no território que a gente fez foi um estudo de urbanização do Jardim São Norberto e Bom Clima, que fica na cabeceira do Ribeirão Caulim, que é um afluente do Ribeirão Parelheiros. Esse estudo de urbanização chegou para nós com indicação da Secretaria Executiva do Programa Mananciais; o Oliver trouxe para a gente algumas sugestões, e essa nos pareceu interessante porque se tratava de uma cabeceira que tem ainda uma quantidade expressiva de áreas verdes, mas também uma ocupação de alta vulnerabilidade social, e que está na programação para ter um projeto de urbanização de assentamento precário. Então, para nós, reunindo a situação geográfica 4 e a situação geográfica 1, nos parecia um bom exemplo.
Então, a Larissa, que está aqui, a Maíra, da DPU, e o Oliver coordenaram esse projeto, que foi pensado para garantir justiça ambiental, ou seja, garantir que as pessoas possam ter direito à moradia digna ao mesmo tempo em que vão ser realocadas das áreas de inundação, porque ali tem um processo de inundação e enxurrada — apesar de estar nas cabeceiras, tem processos de inundação e enxurrada bastante significativos. E aí a gente começou a pensar num projeto integrado que pudesse criar um parque linear, com todos esses condicionantes para a criação de parque também, que a gente pode discutir mais detalhadamente depois. Então, a gente começou a fazer um desenho dos processos de realocação dessa população e de construção do parque. Aí são alguns estudos de corte, de como esse parque, com a urbanização, a requalificação e a reurbanização do remanescente, poderia ficar. Depois, o Oliver e a Alice podem dar mais detalhes.
Mas a ideia foi que a gente pudesse, primeiro, fazer uma orientação importante sobre a calha do rio: que a calha do rio fosse um elemento central na definição desse parque. Então, com canalização de taludes baixos, margem vegetada, caminhos para dar espaço para o rio inundar, mas que também pudesse ser um espaço de lazer e fruição dessa população. A Elisa, que está nos ouvindo, pesquisadora do projeto, trouxe a ideia do treatment train, que vai olhar um pouco como a gente pode aportar soluções baseadas na natureza para o parque e para a bacia, com diferentes estruturas, na medida em que elas caibam. O treatment train é interessante porque a gente pode, digamos, fazer um tratamento que seja mais curto, porque vai ter áreas que estão mais impactadas pelos processos de urbanização, e vai ter áreas nas quais a gente tem mais espaço para garantir qualidade e quantidade de água e possibilidade de manutenção das espécies.
É importante dizer também que o São Norberto e o Bom Clima estão inseridos dentro de uma área com vários parques naturais existentes e propostos e, portanto, é um corredor importante de fauna. Essa também foi uma questão relevante para as diretrizes desse projeto: pensar nas estruturas necessárias, não só as estruturas de biodiversidade, de flora, ali no parque, mas também a iluminação, a própria calha do rio, que possibilite que pequenos mamíferos entrem e saiam da água. Também é uma proposta que a gente tenha algumas ilhas de nidação — nidação, certo, gente? Nidação. Algumas ilhas de nidação, porque muitos animais domésticos predam os ovos, especialmente da avifauna. Então, a gente fez um olhar também sobre quais espécies estão nessa área e podem se beneficiar da construção de um corredor. Digamos que a gente está falando de uma justiça ambiental ampliada, para seres humanos e não humanos, nesse projeto, especialmente relacionada ao contexto em que ele está.
Acho que essa é uma questão muito relevante para pensar diretrizes para as APPs, e a gente tem falado bastante sobre isso dentro do projeto: que precisa ser muito contextualizado. Toda forma de diretriz precisa ser bastante contextualizada. Então, a gente precisa garantir segurança para as mulheres que vão caminhar nesse parque à noite, ao mesmo tempo em que precisa garantir segurança para as capivaras e os macacos que também vão estar nesse parque. Talvez não haja capivaras e macacos em outras áreas de recuperação de APPs, e aí outras dimensões vão ser privilegiadas. Então, é essa ideia de que cada APP merece um olhar específico, diferente do que a gente fez ao longo do século 20 — e aqui falando como alguém que estudou as políticas públicas para as APPs ao longo do século 20 —, quando se tinha uma política de canalização e de construção de avenidas de fundo de vale, e essa era a política hegemônica. Ao longo do século 21, a gente tem feito diferente; a gente tem olhado de forma específica para os rios, mudou muito a política, e acho que a gente tem espaço ainda para avançar nas caracterizações e nas diretrizes que a gente vai construir.
Então, aqui algumas outras ideias, que servem muito aos parques da Zona Sul, especialmente para aumentar a biodiversidade: estacas vivas, galharia, uma série de ideias que foram trazidas. Mas também ideias importantes do ponto de vista da organização comunitária para manutenção e conservação desses parques: a ideia de organizar a compostagem comunitária, construir pomares urbanos, hortas comunitárias, que a gente consiga estabelecer um monitoramento participativo, uma educação ambiental integrada com esse projeto, uma participação intensa. É lógico que a gente tem uma proposta que foi construída pelo projeto, mas essa proposta precisa ser discutida e construída junto com a população que vive nessa região, e a gente está começando a se articular para que isso aconteça.
E aí eu queria mostrar um pouquinho do que a gente está começando a pensar do processo participativo e da capacitação, em que a gente gostaria de ter a participação intensiva não só do CADES Municipal, mas dos CADES Regionais — desculpa, são os CADES Regionais —, de quem a gente gostaria de ter o apoio e a participação. Então, a gente está pensando numa participação cujo objetivo é promover a compreensão dos problemas, das alternativas, das estruturas de gestão; como olhar de forma individual, mas partindo de um contexto geral, essas Áreas de Preservação Permanente; e pensar como a gente vai construir, implementar e dar prosseguimento ao programa propriamente dito, que a gente pretende entregar até, no máximo, meados do ano que vem.
A gente tem alguns objetivos específicos: construir engajamento, participação contínua e efetiva, trazer um acolhimento da pauta — mas um acolhimento da pauta que seja a partir do reconhecimento [inaudível]. E a construção do programa também é um objetivo específico, com duas estratégias. A primeira é a introdução do programa no dia a dia dos servidores, ou seja, dado que a gente diagnosticou que vários setores da prefeitura atuam sobre as Áreas de Preservação Permanente, a gente precisa que esse programa seja reconhecido, legitimado e introduzido no cotidiano da ação pública, por um lado. Por outro lado, a gente também precisa construir mecanismos de participação efetiva e permanente dentro do programa. E aí a gente obviamente quer que haja uma maior compreensão do funcionamento da bacia, do funcionamento da cidade e a análise de algumas soluções possíveis para intervir nos rios e conviver com as águas. Acho que a gente já avançou muito neste século com isso, mas me parece que tem espaço para avançar um pouquinho mais.
Esse é o último slide — acho que eu já passei super do meu tempo —, mas vou rapidinho, só para vocês entenderem como a gente está pensando: três, digamos, universos do processo participativo e da capacitação. Gestores públicos, de um lado; a sociedade civil organizada — e a gente está querendo propor que os CADES Regionais podem ser um espaço importante para isso, e também os conselhos gestores —; e algo mais voltado à educação, com discentes e professores de universidades e escolas, está? Isso é um pouco a construção da proposta que a gente ainda está pensando.
Então, uma primeira etapa de entender o funcionamento das bacias, das APPs, apresentar a tipologia, as situações geográficas, discutir sobre tudo isso com os servidores. Uma segunda etapa de familiarização e instrumentalização no uso do programa: a gente está procurando vários elementos, um modelo como o SWMM, programas para a gente compreender inundação, estilo HEC-RAS, outros ensinamentos necessários para os servidores públicos e, de forma geral, uma compreensão dos programas e das instâncias de participação no território. E, na terceira etapa, a gente entende que essa participação vai fazer parte da gestão do programa, da construção da gestão do programa e da relação do território com esses agentes de participação mais organizados.
Essa é uma primeira ideia; a gente está bem aberto às conversas que forem surgindo. Então, agradeço pela atenção de todas as pessoas aqui. Aqui está o nosso endereço de e-mail. Provavelmente, na semana que vem, o site vai estar pronto e a gente vai conseguir compartilhar com vocês, mas não tem mais informação do que está aqui nesta apresentação agora. Gente, muito obrigada.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Luciana, eu quero te agradecer pela apresentação de hoje. Já conheço o trabalho de vocês, e é um excelente trabalho. A primeira pergunta vem de mim, está, Ligia? Eu sou a maior interessada aqui. Referente ao que você falou sobre os apoios e a participação dos membros do CADES Municipal: também poderiam estar participando os membros dos conselhos gestores de parques e também dos CADES Regionais? A gente poderia passar esse convite para os conselheiros que a gente tem também, caso haja interesse, não é, Luciana?
LUCIANA TRAVASSOS (UFABC): Perfeito, a gente pode combinar de fazer essa apresentação com quem estiver interessado. A gente tem muitos integrantes bolsistas; a gente pode, e a gente gostaria muito, estar distribuído pelo território do município de São Paulo, porque a gente entende que esse olhar que virá de outros atores vai ser bem importante. Primeiro, para a gente legitimar essas situações geográficas — que me parece que respondem, ou seja, em todos os lugares em que a gente mostrou até agora, a gente falou "essas são as situações", e aparentemente essas são mesmo as situações das Áreas de Preservação Permanente, mas obviamente esse reforço é necessário — e também para a gente perceber contribuições, especialmente sobre como fazer um processo mais permanente de construção, participação e gestão, tanto de conselheiros quanto de servidores públicos, nos mais diferentes órgãos. Então, esse é o nosso momento de articulação; quanto mais gente chamar a gente, melhor.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Então, já fica aqui o meu convite: na última quarta-feira do mês, nós temos a reunião dos 32 CADES Regionais, está, Ligia? Está, Luciana? Então, aqui já fica o meu convite para vocês apresentarem isso e também convidarem, presencialmente, os nossos conselheiros. E também nós vamos ter o encontro dos conselhos gestores de parques no final do ano, agora em novembro.
PARTICIPANTE NÃO IDENTIFICADO(A): O dos CADES, dia 7, e o dos conselhos gestores de parques, 5 de dezembro.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): 5 de dezembro. Então, Ligia, já deixa na agenda de vocês. Eu gostaria de deixar isso para vocês fazerem uma apresentação para eles; é muito importante também no conselho gestor.
LIGIA PINHEIRO DE JESUS (CPA/SVMA): Sim, com certeza. A gente já fez isso no ano passado.
LUCIANA TRAVASSOS (UFABC): Isso é uma parte importante, de engajamento.
PARTICIPANTE NÃO IDENTIFICADO(A): A capacitação do dia 18 dos CADES vai ser no sábado de manhã, das 9h às 13h. As outras apresentações, essas a que a Lili está convidando para vocês falarem nos CADES, são online, na última quarta-feira do mês, que vai ser dia 28 de outubro, às 18h30.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Isso. Se a gente puder estar na pauta... Já está na pauta. Vamos colocar já, que eu sou bem prática, Luciana. Quando é assunto importante, é bom ser prática.
Antes de eu passar para a parte presencial de perguntas, e depois para a parte online, tem também a Anita. Ela colocou, sobre a sua apresentação, que a área do São Norberto está inserida na Área de Proteção Ambiental Bororé-Colônia, não é, Anita? E além de estar na zona de amortecimento do Itaim, está bom? Então, só para estar registrando aqui: não é nem um questionamento da Anita, é um complemento, não é, Anita?
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS (Conselheira): Isso mesmo, Lili.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Um complemento, está bom? Elementos que tornam essa área muito importante.
Temos aqui na parte online quatro conselheiros e, aqui na parte presencial, temos o Carlos Borges. Então, eu vou começar com o Carlos Borges, na parte presencial, e logo em seguida já passo para a parte online, está bom? Por favor, Carlos Borges.
CARLOS ALBERTO DE MORAES BORGES (Conselheiro): Bom dia. Primeiro, parabéns pelo trabalho, muito importante, muito interessante. A minha pergunta é, primeiro, se, em termos de diretrizes, vocês estão pensando em alguma matriz que envolva prioridade, impacto e investimento, porque o tema é complexo. A gente tem informações de grandes empreendimentos que deixaram APPs e que foram invadidas. Então, sobre segurança também, queria saber como vocês estão vendo, porque o crime organizado é muito complicado também.
E o SECOVI tem várias iniciativas tentando fomentar, de alguma forma, a construção sustentável, e duas delas talvez conversem e a gente possa de alguma forma se ajudar. Uma: nós lançamos, na semana passada, um guia de soluções baseadas na natureza. Foi um trabalho em parceria com a CETESB e foi muito interessante, porque os próprios técnicos da CETESB estão aprendendo como aprovar e entender o que pode e o que não pode. Tem passagens para a fauna, tem uma análise; tem um trabalho em que acho que a gente pode, de alguma forma, se integrar. E, segundo, nós estamos começando uma conversa com o INSPER e com o Sírio-Libanês para fazer um estudo voltado à junção dos temas urbanismo e saúde das pessoas, que conversa diretamente com o que vocês estão falando. Então, eu acho que vale a pena; vamos pensar o melhor jeito de a gente juntar esforços.
Nós estamos também trabalhando, colaborando com a prefeitura na regulamentação da construção sustentável, dos artigos 10 e 83 do Plano Diretor, para a gente conseguir parametrizar e mensurar o que efetivamente é uma construção sustentável. Até a Liliane foi ao evento em que teve o lançamento. Então, a gente está tentando, como sociedade civil organizada, colaborar nesse processo, e acho que vale a pena, de alguma forma. Depois eu vou te mandar um e-mail, e a gente tenta ver o melhor jeito de colaborar com esse processo, está? Parabéns pela iniciativa. É isso. Obrigado.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada. Passando agora para a parte online: Douglas, por favor.
DOUGLAS DE PAULA D' AMARO (Conselheiro): Meninas, eu queria falar... Eu sou o Douglas.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Está sem som, Douglas?
DOUGLAS DE PAULA D' AMARO (Conselheiro): Não está com som? Está ouvindo?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Sim, agora sim.
DOUGLAS DE PAULA D' AMARO (Conselheiro): Ok. Eu sou o Douglas, sou engenheiro agrônomo aqui da SIURB, a Secretaria de Obras, e, meninas, só para falar que eu já tinha ouvido falar desse trabalho de vocês, e realmente ele é muito rico, muito bacana. Ele interage muito com o nosso dia a dia, então a gente está superinteressado em continuar as conversas com vocês. É um pouco difícil, no nosso trabalho, conciliar tudo isso que a gente planeja e prevê. Tem toda essa parte teórica, ideal, que a gente planeja, e às vezes a Secretaria de Obras não consegue executar ou aplicar tudo isso da forma como gostaria. Então, eu acho que é superpertinente este momento. Nós estamos desenvolvendo a política ambiental da Secretaria — acho que vocês já sabem —, e uma das ideias é que a gente interaja com todos esses planos e diretrizes que a Secretaria do Verde tem e incorpore isso desde o planejamento até a execução dos projetos aqui. Então, eu acho que é um momento muito oportuno. Estou bastante empolgado, tecnicamente, com todo esse material, e a ideia é que a gente consolide isso internamente para que essas diretrizes também sejam incorporadas aos nossos projetos.
Só uma observação e depois uma pergunta. Às vezes a gente tem que definir um pouco melhor os entendimentos. A gente não consegue executar todo o ideal idealizado, mas isso não quer dizer que o que a gente consegue executar seja algo ruim. Às vezes a gente só consegue fazer uma canalização muito simples, com cimento, mas foi o que o espaço deixou: a comunidade ocupou a área, a gente não consegue remover aquelas famílias, mas tem que resolver um problema importante de drenagem. Então, às vezes é obrigado a fazer uma obra confinada num canal; não é a mais bonita, a mais adequada, mas é o que dá para fazer. E às vezes isso não é, na nossa visão, um negócio tão ruim: foi o que deu para fazer naquele momento, com aquela situação. Discussões à parte, a gente vai aprofundar muito isso.
Eu queria só fazer uma pergunta técnica. Vocês abordam a APP de cursos d'água — cursos d'água, nascentes, lagos. Tem algum trabalho sobre a APP por inclinação, nas encostas? E se isso não faria sentido entrar nesse trabalho todo, porque a vulnerabilidade de quem está nessas encostas é muito semelhante à de quem está no fundo do vale. Então é isso. Obrigado, meninas, e parabéns.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Eu só vou pedir, Luciana, que seja um pouquinho mais breve, porque nós temos ainda a terceira apresentação, e o Bender tem uma outra reunião logo em seguida. Então, para não atrasar, está?
LUCIANA TRAVASSOS (UFABC): Bem rápido. Carlos, queremos conversar. Acho que a gente pode colocar, de repente, a Elisa, que está olhando para as diretrizes, para a gente pegar esses documentos e fazer uma troca. E aí, dialogando um pouco com o que o Douglas e você falaram sobre a priorização: a princípio, a gente tinha falado "bom, vamos fazer uma priorização a partir da nossa tipologia somente". Mas a gente viu que, com a nossa tipologia, que são as situações geográficas, a priorização é muita coisa. E, para a ação pública, priorizar muita coisa é a mesma coisa que não priorizar. Para qualquer tipo de meta, a gente vai precisar definir um universo. E aí eu acho que vale muito a pena construir uma matriz de priorização, impacto e investimentos necessários. Espero que a gente consiga chegar nisso no final.
E aí, Douglas, só para te dizer duas coisas. Primeiro, obviamente, as APPs de morro, vinculadas à inclinação, são superimportantes; do ponto de vista do risco de morte, elas são muitas vezes ainda mais relevantes do que as APPs de inundação. Mas elas não estão no escopo do nosso projeto. Depois a gente escreve outro PPP e vai pensar em encosta. Então, a gente está pensando em APP de corpo d'água, até por conta de onde surge a ação, que é do PLANPAVEL. Essa é uma questão.
E, efetivamente, a gente muitas vezes faz o que dá. Mas, quanto à ideia de priorizar territórios, entendemos que essa priorização precisa acontecer, porque é a partir da priorização de territórios que a gente vai conseguir ter ação integrada e intersecretarial, assim como em alguns exemplos que o município de São Paulo já fez. Então, realmente, se a SIURB for atuar sozinha, sem que a SEHAB esteja junto, sem que o Verde, a Secretaria das Subprefeituras, a SMUL estejam juntos, a capacidade de intervenção transformadora no território é muito menor. Então, me parece que a ideia de fazer o programa é justamente que a gente possa ter intervenções mais transformadoras no território; que a gente consiga reunir esforços públicos para transformar áreas que têm grande potencial de justiça ambiental e potencial de recuperação. Um pouco essa ideia que a gente teve. Mas a Ligia quer falar alguma coisa aqui também.
DOUGLAS DE PAULA D' AMARO (Conselheiro): Travou. A gente não está ouvindo. Espera aí, o microfone está mudo?
(Pausa para ajuste do microfone.)
LIGIA PINHEIRO DE JESUS (CPA/SVMA): Então, aqui, só como complementação: isso que a Luciana trouxe, da articulação, são um pouco evidências que essa primeira parte do trabalho trouxe, a partir de pesquisas sobre os tipos de intervenções. Quando a gente trabalhou de forma articulada e integrada entre as diversas secretarias, o processo de transformação foi tanto melhor. Então, acho que esse é um aspecto bem importante de o projeto trabalhar: como a gente articula e integra as diversas pastas nas intervenções em APP.
E outra coisa, acho que bem importante de dizer, Douglas: a gente está em diálogo com a SIURB, por meio da Antônia, do Pedro e da Júlia, em função do piloto que está sendo trabalhado na bacia de Parelheiros, que é onde a SIURB está começando agora a elaboração do caderno de drenagem. Então, a ideia é que a gente, nessa área, consiga ter essa adesão da SIURB para contribuir com o projeto, e o projeto contribuir com o caderno, e vice-versa. Então, a gente está nessa articulação. Mas fico à disposição para conversar diretamente contigo, apresentar o projeto, por conta da política ambiental que você mencionou. E, por último, Carlos, eu estou no grupo do CADES, então tem o meu contato lá. Pode me mandar uma mensagem, que aí eu articulo essa conversa.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Ligia. Obrigada, Luciana. Agora vou passar para o senhor José Ramos, por gentileza.
JOSÉ RAMOS DE CARVALHO (Conselheiro): Olá, bom dia. Parabéns pela apresentação, e parabéns, Liliane, por a gente ter esse olhar para os CADES Regionais. Eu me tornei gestor ambiental — meu nome é José Ramos de Carvalho, faço parte da Associação Paulista de Gestão Ambiental —, me tornei gestor ambiental justamente por todos esses eixos que foram apresentados, dentro do caminho do Rio Cabuçu. Tanto é que, quando a Luciana apresenta o primeiro slide dela — se ela puder colocar lá —, está lá Baracela, que pertence justamente ao Subcomitê Tietê-Cabeceiras. Então, todas essas intervenções são representativas dentro do conjunto das bacias hidrográficas. Tanto é que, agora, eu estou participando aqui, na lateral, de uma passagem de duto da Petrobras junto das represas da Zona Sul; está aqui na minha frente.
Então, tudo que você comentou consta ao longo das atas do CADES Regional de Vila Maria/Vila Guilherme, que, inclusive, faz um ano que não são publicadas, e a Liliane está numa luta intensa com a subprefeitura porque não são publicadas. Então, para você ter uma ideia, Luciana, você mesma não tem alguns dados: o Córrego Baracela, que é da Vila Maria/Vila Guilherme, e você também cita o córrego da Vila Maria/Vila Guilherme. Olha só que interessante. E, dentro de tudo isso que se apresentou, inclusive quero agradecer à Rosélia, porque mandou uma equipe para a gente discutir.
Uma outra coisa que vocês precisam observar: os campos de gramado sintético. Nós estamos numa região de fundo de vale e ganhamos quatro campos de gramado sintético. Então, estou impermeabilizando, na minha área, 24 mil metros de área de campos. Mas eu queria deixar uma pergunta, que seria de fato importante para canalizar mais qualidade ao que vocês apresentaram.
Primeiro, a questão da APP. A gente solicitou muito, no CADES, a fiscalização da APP do Rio Cabuçu. A APP hoje foi totalmente transformada. Para vocês terem uma ideia, a área de amortecimento do Cabuçu era justamente uma grande área de várzea, e hoje ela foi totalmente terraplanada. Não houve fiscalização alguma, nem retorno algum para o CADES. E hoje, para você ter ideia, Luciana, nós estamos dentro de todos esses conceitos que você colocou e que nós colocamos também, ao longo da nossa vida, dentro do CADES Municipal e, especialmente, do Regional. E é uma luta que nós fizemos também, e que, de dois anos para cá, a própria Secretaria criou esse conselho regional dos CADES, justamente porque nós tínhamos o dever de criar, dentro da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, uma câmara técnica específica dos CADES Regionais, justamente para trazer as atas, trazer essa informação dentro desse conceito.
E hoje eu sou claro em dizer que o que me representa enquanto meio ambiente é a Secretaria de Saúde. Se vocês colocarem um olhar sobre o PAVS, eles estão lá na trincheira, lutando contra o escorpião, lutando contra inundações, lutando contra... Eu tenho medo dessa palavra "favela", porque ela está nessa apresentação. Então, tem que tomar cuidado; tem uma orientação sobre a questão de "comunidade". Mas tudo isso que você apresentou é base. E eu tenho que reafirmar o agradecimento à Rosélia, por receber os nossos ofícios com relação a essas interferências de campo, porque, veja só, o que é básico para nós chama-se Plano Diretor Estratégico da cidade de São Paulo e Lei de Uso e Ocupação do Solo. Então, eu não posso chegar numa área de APP ou numa área de nascente como fizeram com a Praça Paulo Sara Neto. Anota aí: Paulo Sara Neto. É uma praça que foi idealizada por uma artista plástica, a arquiteta Amélia Toledo. Ela está totalmente descaracterizada, e só não mexeram na nascente porque a gente interferiu, dentro do que foi possível interferir.
Mas todos esses conceitos, todas essas indicações... Até quando você citou o parque linear: em 2014, 2015, ia ser criado o Parque Linear do Cabuçu, num termo de ajuste de compensação do Shopping Tucuruvi, e até hoje não aconteceu isso. Às vezes eu brinco com o pessoal que a gente tem que criar a Prefeitura Municipal de Parelheiros. Então, na verdade, quando você fala assim, eu queria conhecer um espaço com critérios assim penosos e gravíssimos — como agora a gente recebeu uma comissão da Alemanha justamente para esses estudos, como estamos recebendo também agora o pessoal do Rio de Janeiro, porque é gravíssimo.
E só para concluir: quando você falou de arborização e de recuperação etc., eu crio essa metáfora: nós estamos numa linha de leucenas. Eu acredito que todo o projeto do Cabuçu, que custou aos cofres federais 500 milhões de reais — meio bilhão —, que teve origem lá na Rio-92, está totalmente sucateado. Nós temos hoje uma linha de quase 3 quilômetros de leucenas, que começa quando termina a Serra da Cantareira, com a melhor água que você recebe, passa pelo nosso Cabuçu e chega ao Rio Tietê. Então, parabéns, porque eu acho que esse é o caminho para o pessoal enxergar esses eixos. Mas tem que ter um olhar: quando teve essa primeira pauta do CONFEMA, acredito que nós somos o maior exportador de termos de ajustamento de conduta do município de São Paulo. Eu acredito que nós já exportamos mais de 10 milhões para todo o município e não recebemos uma moeda sequer para recuperar o Parque do Trote. Agora, olha que maravilha, para terminar: ao lado do Parque do Trote, agora vai ser construído — teve uma audiência pública — um galpão de logística, ao fundo, numa área de preservação, de APP. E como vai ficar a zona de transição? Então, são todas essas coleções de informações.
E tivemos a participação técnica do Douglas, agora, há três quintas-feiras, na entrega do caderno de drenagem. Porque está uma discussão do pessoal do Centro-Norte com os CADES Regionais: as atas não estão sendo publicadas; estão sendo recepcionadas pela Secretaria do Verde, mas não publicadas. Por quê? Porque a gente conta a história real, a história do que vai acontecer nesse futuro próximo.
Então, esse olhar para a saúde, como o Carlos colocou muito bem: o PAVS está na trincheira, lá na frente. E a gente podia convidar uma pessoa chamada Débora, que é gestora ambiental, que fez um comentário — eu posso até passar depois o contato —, dessa trincheira lá na frente, misturando comunidade, misturando todas as questões. Para você ter uma ideia, há duas horas eu estava investigando os edifícios que foram construídos agora aqui, sabe para quê? Para saber para onde está indo, em termos de saneamento básico, o esgoto desses edifícios, porque a gente não percebeu. E isso também foi uma solicitação da Sabesp, que esteve na reunião do CADES agora, nessa última, com uma solicitação nossa, justamente para entender para onde está indo o esgoto, porque o próprio Cabuçu tem um tronco específico de esgoto para chegar à estação de tratamento. Então, é uma área interessante para o pessoal que está fazendo doutorado, mestrado — que eu observei lá — conhecer; a gente faz questão de receber, porque isso é extremamente importante.
E, ao Douglas, da SIURB, agradecer também pelo caderno de drenagem, que é uma coisa fantástica, e a gente vai lutar por mais coisas aqui para o Cabuçu. Parabéns pelo trabalho, mas essa questão da saúde é fundamental, junto com o colega Carlos, que mencionou. Um abraço. Parabéns pelo trabalho.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, senhor José Ramos, pela sua contribuição conosco. E lembrando que sim, nós conseguimos: o processo deu deferimento a todas as atas não publicadas; foi dado deferimento à publicação de todas, está? A Assessoria Jurídica da SMSUB deu como aprovadas todas as atas. Então, em breve já serão publicadas para vocês, está bom?
Suzana, por gentileza.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Boa tarde — não, bom dia, não é? Obrigada pela exposição, muito animadora. Eu queria falar um pouco: seria tão bom se a gente conseguisse entrar em contato com vocês, porque a gente tem um movimento aqui na Zona Oeste chamado APA das Nascentes, que propõe uma APA que vai de Cotia, do Morro Grande, até o Butantã, passando por Taboão da Serra, Osasco, Embu das Artes e a região do Butantã. São cinco municípios, para preservação das nascentes de cinco rios e de todo o território. Então, esses estudos que vocês estão fazendo são fundamentais para estabelecer essa APA. Inclusive, a gente vai ter uma reunião hoje com o Comitê de Bacia do Alto Tietê, para ver se a gente consegue pleitear fundos do FEHIDRO justamente para estudos desse tipo, que são fundamentais — essa estruturação de tipologias de APP numa região como a que a gente está, do Butantã.
Lembrando que o Butantã é a última fronteira verde da Zona Oeste, que está sofrendo muita pressão, porque a gente está ao lado da Faria Lima; o centro foi deslocado para cá. A gente está aqui na linha da Rebouças, Eusébio Matoso, continuando para a Francisco Morato. Então, a gente tem uma pressão imobiliária — não só imobiliária, mas também, por exemplo, o Centro TEA, que é um centro para crianças com espectro autista, que estão tentando colocar em várias áreas verdes aqui no Butantã, e a gente já tem poucas. O Butantã é o último que tem maciços de bosques urbanos. Se a gente não conseguir preservar esses bosques urbanos, as áreas verdes que estão descritas no Decreto 30.443, que já eram importantes em 1988 — imagina agora —, se a gente não conseguir preservar essas APPs... Tem muitos rios abertos, tem muitos parques lineares propostos pela própria Secretaria do Verde e do Meio Ambiente que não estão no Programa de Metas para serem implantados. Então, quanto mais tempo demora, mais adensamento vai tendo, mais questões com a APP, e elas se transformam de uma coisa para outra nessa tipologia que vocês fizeram.
Então, a gente está tentando entrar com essa APA: Rio Cotia, Rio Poá, [inaudível], Jaguaré e Pirajuçara — são as nascentes que levam a esses rios. Então, eu queria muito entrar em contato com vocês, porque é fundamental esse trabalho que vocês estão fazendo para a gente pleitear essa APA. E agradeço muito. Eu não sei como entro em contato com vocês.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Suzana, ela vai colocar o e-mail no chat. Então, é só pegar o e-mail da Luciana no chat e encaminhar, por gentileza, o e-mail para ela. E a Ligia também é a nossa suplente aqui do CADES Municipal; você também pode entrar em contato com a Ligia e dar essa informação, por gentileza, está bom? Mas fica aqui o nosso registro: se você também puder encaminhar o e-mail para o CADES Municipal e fazer esse apontamento, a gente encaminha para a Luciana também, está bom? Tem todas essas aberturas para você entrar em contato com a Luciana.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Obrigada, Liliane. Eu só queria lembrar que, na revisão da Lei de Zoneamento, a Rede Ambiental Butantã — eu fazia parte desse GT — propôs que, em torno de todas as APPs, fosse criado zoneamento ambiental em todos os lotes lindeiros às APPs. Mas acabou que não foi nem apresentado. Mas, enfim, tem o estudo.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Está bem. Fica também o convite para você apresentar aqui no CADES Municipal. Em novembro, a gente tem a reunião de pautas; você pode colocar isso como pauta também, para a gente estar apresentando, está bom? Fica aberto esse diálogo conosco.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Está bom, eu te agradeço, Lili.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Oliver, por gentileza.
OLIVER PAES DE BARROS DE LUCCIA (Conselheiro): Oi, pessoal. Só complementar bem...
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): É Oliver, não é? Eu vou aprender a falar seu nome ainda, viu? Oliver.
OLIVER PAES DE BARROS DE LUCCIA (Conselheiro): Oliver. Só complementar bem rapidinho a fala do Douglas sobre canalização, sobre projeto integrado. Eu acho que é muito legal, nesse projeto Territórios da Água, justamente essa questão de ser um projeto integrado entre várias secretarias e a universidade, o que eu acho que é fundamental para esses projetos de urbanização de favela. E o caso do Bom Clima, que foi onde eu trabalhei mais especificamente, lá em Parelheiros, é uma situação muito típica da Zona Sul, do extremo sul, que é a favela em cima do córrego. Então, com problema tanto de vulnerabilidade social quanto de inundação, de esgoto caindo no córrego.
A Secretaria Executiva do Programa Mananciais já tem experiência em trabalhar com essa situação; é um programa que, desde os anos 1990, vem fazendo urbanização de favelas. Mas eu acho que a inovação, no caso do Territórios da Água, vem muito nessa questão da qualificação ambiental da APP. Tanto na escala da microbacia — a questão das soluções baseadas na natureza para conseguir filtrar um pouco da poluição difusa, evitando que chegue ao córrego — quanto no próprio tratamento do córrego, porque a gente está propondo — inclusive teve reuniões com a SIURB, que está fazendo o caderno de bacia hidrográfica com a FCTH — uma seção composta. Ou seja, tentando sair do padrão de seção única em aduelas de concreto e indo para uma seção composta, que seria uma seção menor, trapezoidal, concretada, para uma chuva mais recorrente, de TR de 5 anos, e uma seção maior, vegetada, para o TR de 100 anos, que garante maior infiltração, maior biodiversidade e acesso da fauna à água. Então, só ressaltar essas inovações do projeto. Acho que essa forma integrada de tratar a bacia e o projeto pode virar um novo padrão para as obras de canalização da prefeitura. Obrigado.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Oliver. Quer complementar, Luciana? Está dando um eco aqui, não é? Espera aí.
LUCIANA TRAVASSOS (UFABC): É, só bem breve. Eu acho que foi bom lembrar da questão da saúde. Efetivamente, tem um outro projeto integrado conosco, que é um projeto que está pensando SbN para a saúde, então a gente também está começando a articular essa ideia, que acho importante. Também vou trazer a Estela, que é membro do CADES — não sei se a Estela está aí. A Estela é coordenadora desse outro projeto, cujo piloto é na bacia do Aricanduva, numa articulação que, eu acho, tem o mesmo financiamento — com o INSPER, naquele projeto FAPESP de Saúde e Meio Ambiente. A Estela é coordenadora de um projeto que também está conversando com a gente. Então, é boa a lembrança de falar da questão da saúde.
E, para o José: José, a gente está trabalhando com a comunidade do Baracela para pensar algumas estratégias lá. Então, chama a gente para conversar com você, que também estamos a fim. A gente começou um piloto no Baracela, e agora a gente está trabalhando junto para pensar um pouco o processo, o projeto de urbanização, a regularização fundiária e a recuperação da APP ali no Baracela. Foi, inclusive, objeto de uma disciplina que a gente fez no começo deste ano, lá na Federal do ABC; o Baracela era o nosso objeto de estudo.
Então, só para ser bem breve, porque eu sei que a gente já estourou demais o tempo: de novo, a gente colocou aí o e-mail da Ligia, o meu e-mail, o e-mail do Territórios da Água, e o Oliver está aí também, engajado no projeto. Então, tem muitos dos nossos contatos para a gente continuar conversando. Quero agradecer muito pelas palavras e também pela atenção que vocês deram, e para a gente continuar esse diálogo. Vocês querem falar alguma coisa? A Ligia e a Renata aqui, só agradecendo. E a Larissa, aqui um pouquinho mais para trás, e a Mariana e o Alexandre, ali do outro lado, também são equipe do projeto aqui presencialmente, e mais muita gente aí no online. Obrigada.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Luciana. Nós temos, então, na parte online, a última pergunta, da Anita, a nossa diretora também aqui da Secretaria do Verde, e aí terminamos a parte de perguntas, pode ser? Está. Então, Anita, por gentileza, na parte online.
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS (Conselheira): Eu só queria sugerir, com relação a essa proposta envolvendo São Paulo e Cotia, mencionada e tão importante, pela Suzana, que é imprescindível fazer uma articulação junto à Fundação Florestal, porque é um mapa que envolve vários municípios. E eles têm, inclusive, experiência com criação e gestão desse tipo de área de proteção ambiental em meio urbanizado, que é o caso da APA Várzea do Rio Tietê. Daí eu sugiro que você procure o Rodrigo Braga de Moraes Victor, que é um engenheiro agrônomo da assessoria do diretor executivo. Vou pôr o e-mail dele aqui para você, para fazer essa conversa com ele. Ele também é a pessoa com quem nós conversamos quando vamos criar categorias diferentes. Mas eu acho imprescindível vocês conversarem, porque eles se apoiam em estudos que são desenvolvidos em contexto metropolitano e no estado de São Paulo, com relação à conservação da biodiversidade e às áreas prioritárias para conservação.
SUZANA GUINSBURG SALDANHA (Conselheira): Eu te agradeço muito. Já anotei aqui: Rodrigo Braga de Moraes Victor. Você vai colocar o e-mail, não é? Superagradecida.
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS (Conselheira): Vou colocar aqui, pode deixar.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Anita, posso passar?
ANITA DE SOUZA CORREIA MARTINS (Conselheira): Pode.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Obrigada, Anita, pela sua compreensão, pelo seu diálogo. Luciana, quer complementar? Ligia? Não?
Então, agradecendo imensamente, em nome do nosso secretário Wanderley, a presença aqui da Luciana e de toda a equipe, trazida pela grandiosa Ligia — que sempre está com os projetos aqui na Secretaria do Verde. Eu sempre falo que a Ligia é a nossa professora Ligia, que sempre traz os grandes projetos para a Secretaria. Então, obrigada, Luciana, pela sua presença aqui, e já conto com a sua presença em dezembro. A gente vai passar um e-mail para a Ligia, a Ligia conecta com você, e a gente já faz esse andamento, está bom? Obrigada a toda a equipe aqui da Universidade Federal do ABC pela apresentação.
Agora passamos para o quarto ponto do expediente, que é a apresentação da nova versão do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo, o PlanClima. O Alexandre Bender tem uma reunião agora, às 13 horas, está? Então, o que eu posso propor para vocês — e eu já estou aqui falando com a Gabriela, porque em novembro a gente está com quatro apresentações também — é pedir encarecidamente a todos os conselheiros aqui presentes, e também online, para a gente acordar uma reunião extraordinária no dia 28/10, em que também vai ter a reunião de Mudanças Climáticas, mas a gente muda, Sergio, essa reunião. E aí, dia 26, na próxima segunda-feira — deixa eu pegar o calendário aqui —, dia 28 ou 26? Dia 26.
Então, dia 26, na segunda-feira, eu peço encarecidamente aos nossos conselheiros, tanto da parte presencial quanto da parte online, se vocês podem participar dessa reunião extraordinária do CADES Municipal, para a gente apresentar o Plano de Ação Climática, o PlanClima, e o PMEA. Por que eu digo isso do PMEA? Porque a Gabriela vai entrar em licença-maternidade, e esse tema eu estou puxando desde fevereiro, um atrás do outro. Então, eu não gostaria que esse tema fosse para 2027. E, com tanta pauta que a gente tem aqui — já está até março de 2027 —, essas duas pautas, que são de extrema importância, a gente precisa passar ainda em 2026. Eu peço, então, que a gente faça essa reunião extraordinária no dia 26, está? Para a apresentação dessas duas apresentações, que são de extrema importância para nós aqui do Conselho Municipal, está? Então, eu peço que todos vocês, tanto da parte online quanto da parte presencial, aprovem junto comigo, aqui como presidente da mesa, que seja essa data — ou vocês podem também me passar... Não, eu já tenho a agenda, e aí a gente vê no e-mail.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Lili, acho que fechou o seu microfone; a gente não está te ouvindo.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Fechou? Ai, meu Deus! Todos me escutaram, Gabriela? Vocês conseguem escutar?
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Agora voltou, agora voltou. Pelo menos eu escutei até a parte de você sugerir a reunião extraordinária.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Isso, para o dia 26 — 26/10, às 10 horas da manhã, segunda-feira.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Não, dia 28 que você tinha sugerido.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Não, dia 26. É dia 26, eu falei errado. Dia 26, segunda-feira.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Dia 26 eu não tenho disponibilidade, Lili. Mas tudo bem; de repente você checa com os outros apresentadores para fazer as outras apresentações no dia 26.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Não, já vejo o calendário aqui, Gabriela.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Porque a Comissão de Mudanças Climáticas é que está prevista para o dia 26.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Isso, só que eu mudaria essa reunião de mudança climática. Mas aí eu já vejo aqui o calendário.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Mas não tem problema: a apresentação do PMEA pode ficar para a reunião do CADES de novembro, que está prevista para o dia 11, também sem problemas.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Não, porque vai entrar o Jordi, da apresentação que a Tamires pegou; então vão ficar quatro apresentações, vai ficar muito pesado, e a gente vai terminar a reunião umas duas horas da tarde. E, como você vai entrar em licença e o PMEA é uma apresentação muito importante, a gente vai ter que marcar uma extraordinária mesmo, Gabi, para você apresentar. Senão, vai ficar só para abril de 2027.
GABRIELA PINHEIRO LIMA CHABBOUH (Conselheira): Hum-hum.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): O dia 28 vai cair numa quarta-feira — a todos os conselheiros presentes e online: dia 28, quarta-feira. Aí poderiam estar já agendados o Bender e a Gabriela no dia 28. É dia 28 de outubro, quarta-feira, às 10 horas da manhã.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Até que horas?
CARLOS ALBERTO DE MORAES BORGES (Conselheiro): Se a gente puder manter uma das duas... Eu não sei se eu consigo participar das duas.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Então, assim, eu dou preferência a que a gente troque do dia 26, está, Carlos Borges? E ficaríamos com o dia 28, porque o PMEA e o PlanClima são muito importantes aqui para o CADES Municipal e são de extrema importância para todos os conselheiros. Então, ficaria — vamos marcar das 10h ao meio-dia, pode ser? Aí a gente dá uma hora para o Bender e uma hora para a Gabriela. Não vamos aprovar nada; vamos só fazer essa reunião extraordinária para a gente fazer essa apresentação.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Ok, por mim, ok.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Presencial e online. Aí fica à escolha de todos, está? É igual à reunião de hoje: vocês vão escolher se vão vir presencial ou online; fica a critério de cada conselheira e conselheiro, está bom? Então, vamos acordar isso, por gentileza: quarta-feira, dia 28 de outubro, das 10h ao meio-dia, reunião extraordinária do CADES Municipal para apresentação do PMEA e do PlanClima, as duas ações importantes aqui da Secretaria do Verde, está bem? Vamos dar como aprovado, por favor.
(Pausa.)
Obrigada. Na parte presencial, ok? Pode ser? Eu peço desculpas, mas é só para a gente ajustar essas pautas, que a gente não pode jogar para 2027; temos que terminar ainda este ano, está bom? Obrigada.
Flavio, por gentileza.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Agora são assuntos gerais? Como é que é?
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Não, agora a gente vai dar como término mesmo, porque...
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Ok. É só uma observação, na minha opinião, está? Não sei quanto aos demais conselheiros. A apresentação das contas do FEMA, para mim, ficou prejudicada, está? Porque eu olhei de novo aqui e, para mim, realmente está faltando ela explicar por que não colocou a questão da mobilidade, porque estava dentro das diretrizes que a gente aprovou e não foi colocado. E, como ficou pouco tempo também para ela fazer a apresentação, na minha opinião ficou um pouco prejudicado o esclarecimento para o CADES sobre as ações, sobre o que foi utilizado no FEMA. É só para colocar isso. E a gente não recebeu as informações previamente, como tinha combinado.
E, dentro disso, eu vou mandar essa conclusão por e-mail para vocês, está? Eu sugeriria fazer uma nova apresentação, inclusive mostrando o que de fato foi executado, não só o que foi planejado. É isso que mais ficou nítido no processo. O que seria legal, Lili: a gente aprova uma resolução, e o conselho só tem que responder se ela atendeu a essas diretrizes. Então, se focar no atendimento da resolução do CADES, fica mais curto, fica mais objetivo. Tem a questão legal dos 10% — não falou dos 40%, mas tudo bem. Então, eu acho que ficou faltando informação para a gente poder dar qualquer tipo de parecer. Essa foi a minha opinião. Eu gostaria que constasse em ata. Obrigado.
LILIANE NEIVA ARRUDA LIMA (Coordenadora): Está constado em ata, Flavio. Então, eu quero te agradecer pela sua contribuição; está constado aqui em ata.
Então, o quarto ponto do expediente passou para o dia 28/10. Obrigada a todos os conselheiros e conselheiras aqui presentes. A próxima reunião ordinária do CADES vai ser dia 11 de novembro, está? Normalmente, com as pautas já aprovadas. Então, hoje dou por encerrada a nossa reunião, da parte online e da parte presencial, em nome do nosso secretário Wanderley de Abreu Soares Junior. Dou como encerrada a nossa reunião de hoje. Obrigada aos conselheiros e conselheiras aqui presentes e também na parte online. Obrigada e ótimo dia para vocês.
FLAVIO LUIS JARDIM VITAL (Conselheiro): Bom dia a todos.
Observações da transcrição: trechos não compreensíveis na gravação estão indicados como [inaudível]; falas sobrepostas, ruídos e repetições sem conteúdo foram suprimidos, sem alteração do sentido das manifestações.
São Paulo, 14 de outubro de 2026.
Wanderley de Abreu Soares Junior
Secretário Municipal do Verde e do Meio Ambiente
Presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável - CADES